terça-feira, 31 de julho de 2018
Vamos a Banhos
Quando caminhava
com os olhos postos no chão,
chocou com um transeunte
por não o ver aproximar-se
em sentido contrário.
Se foi castigo dos céus
o que aconteceu
ou equilíbrio da natureza,
não sabia.
Nada sabia de muito relevante.
Simultaneamente
um automóvel passou,
rodou as suas rodas do lado direito
bem no meio de uma poça.
E ele acordou, claro,
devido áquele inesparado
#banho de lama.
Foi assim que
terminaram, abruptamente,
as conversas tolas
que, ao momento, mantinha
consigo mesmo, sobre
os dentes dos elefantes
os espinhos das rosas
e o petróleo brilhante, a refletir
em todo o lado.
Banhos não. Nada sabia,
não sabia de nada.
sob aquela
perspetiva de mares negros.
Na terceira tentativa
de apanhar búzios em aflição
só para os poder ouvir
a gritar,
presos no seu universo pequeno,
e encaracolado.
molhou uma última vez
a ponta dos pés na água
mas só o contacto com ela, fria,
tornou a desistência mais fácil.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Os Aviões
Fazia #aviões de papel que lançava para voarem em grandes viagens de criança, as maiores e mais distantes de todas.
Sentado no chão estavam, o seu irmão, acompanhado por dois soldados de chumbo que lutavam sobre a terra, entrincheirados nas ervas.
O planeta rodava devagar, para o lado habitual, mas, infelizmente, as nuvens cinzentas deslocaram-se rapidamente em sentido contrário e começou a chover torrencialmente.
o que fez com que ela saltasse e ela deu um salto cá para baixo, ele guardou os brinquedos no bolso, tão à pressa, que deixou cair um em queda livre que ficou deitado na terra, imóvel.
A chuva caíu tão intensa que as formigas se esconderam nos seus buracos, e o valente boneco, foi soterrado até ao tronco, quando a terra resvalou cheia de folhas secas.
A chuva caíu tão intensa que as formigas se esconderam nos seus buracos, e ele ficou soterrado até ao tronco debaixo da terra e das folhas secas, que tinham resvalado aos poucos.
O planeta rodou para o seu lado preferido, as nuvens deslocaram-se rapidamente em sentido contrário
O irmão brincava com dois soldados de chumbo que lutavam sobre a terra, entrincheirados nas ervas.
Ela, sentada no muro, tinha encontrado uma folha de jornal, e, enquanto balançava as pernas, dobrou-a para fazer um #avião de papel, que lançou numa grande e alucinante viagem de criança, sobre as videiras em flor.
Ele, enquanto brincava, via as formigas que passavam ao seu lado, com grandes carregamentos de coisas, que eram guardadas dentro de pequenos buracos no chão.
Quando iniciou a chuva, nem deram pela sua aproximação, pareceu-lhes o planeta estar a rodar tranquilamente como sempre, e as nuvens cinzentas bem lá ao fundo, no horizonte, a rodarem no mesmo sentido, sem constituirem qualquer perigo.
Mas, de repente, o vento mudou, e a água caíu tão intensa, que a miúda foi obrigada a saltar rapidamente do muro, e ele a agarrar nos brinquedos para os guardar no bolso e começarem os dois a correr.
Com aquela pressa toda, infelizmente, deixou cair um dos bonecos, que ficou soterrado na lama, apanhado pela enchurrada da terra que resvalou, e assim ficou, até ao outro dia, em que seria resgatado, para que participasse em mais uma batalha fantástica e sangrenta no quintal do avô.
domingo, 29 de julho de 2018
Zambia
#Zambia,
uma pequena aldeia
nascida, há muitos
e muitos anos,
no alto da falésia.
Quando olhamos
de longe, paramos
na curva grande
para espreitar
do miradouro,
as casas pequenas,
e brancas,
estão quase,
quase a cair, para
mergulhar nas
nas rochas violentas,
lâminas pontiagudas
que se receiam,
sobretudo no inverno.
É bem certo que
grande parte dos dias,
ano após ano,
só há nevoeiro
na sua húmida
falta de cor.
Mas quando o céu
abre
e nas janelas só
lhes cabe
o azul do mar
e o majestoso sol
na hora de se pôr,
aquela gente
sente, como ninguém,
abraços do mundo
inteiro reunidos
num só corpo
inconfundíveis,
e que transmitem
todos os calores.
E deixam-se existir
pelos olhos, sem medo,
como invariavelmente
acontece com todos
os grandes amores.
uma pequena aldeia
nascida, há muitos
e muitos anos,
no alto da falésia.
Quando olhamos
de longe, paramos
na curva grande
para espreitar
do miradouro,
as casas pequenas,
e brancas,
estão quase,
quase a cair, para
mergulhar nas
nas rochas violentas,
lâminas pontiagudas
que se receiam,
sobretudo no inverno.
É bem certo que
grande parte dos dias,
ano após ano,
só há nevoeiro
na sua húmida
falta de cor.
Mas quando o céu
abre
e nas janelas só
lhes cabe
o azul do mar
e o majestoso sol
na hora de se pôr,
aquela gente
sente, como ninguém,
abraços do mundo
inteiro reunidos
num só corpo
inconfundíveis,
e que transmitem
todos os calores.
E deixam-se existir
pelos olhos, sem medo,
como invariavelmente
acontece com todos
os grandes amores.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Sem Título
A D. Beatriz viu o papel, aparentemente sem importância,
e deitou-o para o lixo, para prosseguir no seu trabalho, que é a limpeza da casa.
Logo por azar era onde eu tinha apontadas umas quantas informações sobre #Windsor,
para com elas escrever, mais tarde, um texto com:
Cabeça, Tronco, Pernas, Pés e Sapatos.
E não é a primeira vez que a malvada mulher me deita fora coisas importantes.
Ainda nem há quinze dias atirou pela janela toda a mobília da sala.
Minto. Foi a do quarto. Mas eu não me importo.
Ela é muito querida e de confiança, e passeia comigo tanto na praia como no campo.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Sansão
O dia começou com o sol da manhã espalhado pela mesa do pequeno almoço.
Antes de sair foi espreitar a avó, que, dormitava, tranquila, sentada com a testa encostada à parede e o queixo a roçar o vidro da janela
De quando em vez abria a boca e dela saíam bolas de sabão, leves, que subiam direitinhas e iam rebentar no teto.
Houve uma que ficou presa tempo demais nos seus lábios.
Foi enchendo e esvaziando conforme a sua respiração, ficou enorme e mais pequena várias vezes, até que lhe explodiu na cara, provocando um chuvisco fraco e refrescante que lhe pingou os óculos.
Esse incidente fê-la abrir os olhos, por momentos.
Remexeu-se um pouco e voltou a adormecer.
Não fosse o diabo tecê-las, ainda preparou, muito à pressa, mais uma mistura de água com detergente.
Agitou a garrafa, e entornou um pouco do conteúdo para um copo, que colocou ao lado da cadeira de baloiço, em cima da mesa de apoio.
Escreveu num papel o recado do costume.
"Bebe pelo nariz. Não te esqueças. Adoro-te."
Prendeu um canto da folha debaixo do copo, para que não voasse com o cão a passar, o que sempre provoca algum movimento, deu-lhe quatro beijos na testa enrugada e saíu de casa.
Pelo caminho encontrou a tia Augusta, que já não via há algum um tempo. "Que lindo bigode, minha tia, fica-te bem!"
"És um querido #Sansão. Um querido! E olha... " disse, ao retirar o olho direito para mostrar, orgulhosa, tratar-se de um olho de peixe. "É fresquíssimo!"
Folgo muito em ver-te bem, tia. A avó ou está a dormir, ou a apitar ou a bater palmas. Tenho saudades das suas histórias, de quando voava por esses campos fora... "
A tia Augusta tirou várias coisas da mala até encontrar o que queria. Toma. Usa este. Vais ver que é bom" e abriu-lhe a palma da mão, onde colocou uma pastilha para a máquina da louça.
Que ricas manhãs, as que começam com o sol espalhado por aí.
Antes de sair foi espreitar a avó, que, dormitava, tranquila, sentada com a testa encostada à parede e o queixo a roçar o vidro da janela
De quando em vez abria a boca e dela saíam bolas de sabão, leves, que subiam direitinhas e iam rebentar no teto.
Houve uma que ficou presa tempo demais nos seus lábios.
Foi enchendo e esvaziando conforme a sua respiração, ficou enorme e mais pequena várias vezes, até que lhe explodiu na cara, provocando um chuvisco fraco e refrescante que lhe pingou os óculos.
Esse incidente fê-la abrir os olhos, por momentos.
Remexeu-se um pouco e voltou a adormecer.
Não fosse o diabo tecê-las, ainda preparou, muito à pressa, mais uma mistura de água com detergente.
Agitou a garrafa, e entornou um pouco do conteúdo para um copo, que colocou ao lado da cadeira de baloiço, em cima da mesa de apoio.
Escreveu num papel o recado do costume.
"Bebe pelo nariz. Não te esqueças. Adoro-te."
Prendeu um canto da folha debaixo do copo, para que não voasse com o cão a passar, o que sempre provoca algum movimento, deu-lhe quatro beijos na testa enrugada e saíu de casa.
Pelo caminho encontrou a tia Augusta, que já não via há algum um tempo. "Que lindo bigode, minha tia, fica-te bem!"
"És um querido #Sansão. Um querido! E olha... " disse, ao retirar o olho direito para mostrar, orgulhosa, tratar-se de um olho de peixe. "É fresquíssimo!"
Folgo muito em ver-te bem, tia. A avó ou está a dormir, ou a apitar ou a bater palmas. Tenho saudades das suas histórias, de quando voava por esses campos fora... "
A tia Augusta tirou várias coisas da mala até encontrar o que queria. Toma. Usa este. Vais ver que é bom" e abriu-lhe a palma da mão, onde colocou uma pastilha para a máquina da louça.
Que ricas manhãs, as que começam com o sol espalhado por aí.
fmfm
Não é nada,mesmo,
não é nada.
É o mar que enfrenta
umas vezes revolto
outras vezes parado,
longe
de queixo levantado
como sempre.
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