Era uma vez um menino que conseguia esticar-se muito. Quero eu dizer com isto que o seu corpo era extraordinariamente elástico e conseguia alcançar do cimo de uma árvore, por exemplo, uma bola, ou outra coisa qualquer que lá tivesse ficado presa entre os galhos, ou uma panela que alguém precisasse e que estivesse numa prateleira mais acima.
Era muito pequeno, acabadinho de saber andar, quando os pais perceberam que ele alcançava os fechos das portas, mesmo sem usar os bicos dos pés, esticando, sem esforço o corpito pequeno, que, a olho nú, ficava mais estreito e comprido.
Mais tarde, os amiguinhos da escola, e até alguns adultos menos preocupados, aproveitavam-se dessa sua característica em seu próprio proveito, pedindo-lhe constantemente uma ou outra ajudinha para apanhar umas ameixas de uma árvore, ou um brinquedo perdido num telheiro.
Certo dia, em que estava na sua rotina da escola, sentado num banco do recreio, a olhar para os outros brincando à apanhada, sem qualquer vontade de participar nessa atividade coletiva, sentiu alguém sentar-se ao seu lado.
_Olá!_ ouviu dizer, enquanto virava a cabeça no sentido desse som._ tu és o menino que chega a quase todas as coisas, não és?_
_Olá. Sim, sou eu._ respondeu sem grande convicção. Ele nem sabia o que achar de si mesmo, já que às vezes se sentia muito satisfeito por ter aquela capacidade, mas havia ocasiões em que isso o incomodava, parecia que era muito diferente das outras pessoas o que lhe dificultava bastante a vida.
_ Eu sou a Íris. vês aquela casa lá ao fundo, no monte, pintada de cor de rosa? Eu sou capaz de te dizer o que se vê pelas janelas. _
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