_ 'Tô no Face bebé, já vou!
Elba Calhau conversava com Lurdes Vairada. _ Extou muito orgulhosa. Podex contar comigo.
_ Olha, ela foi uma pessoa que deixou muitas saudades, e só tu é que és capaz de fazer isto. Morreu aos 97 anos nas Urgências. Suspeitamos que foi negligência. Quando chegou lá estava tão quietinha! Ninguém me contou, eu vi!
_ É o paíx que temux Lurdinhax. Ax pessoax morrem e ninguém faz nada!
Que tal um meeting amanhã é falamux sobre o assunto? Vou contactá-lux!
"Pessoal, meeting amanhã àx 17h em frente ao "Pulguinhas"!
Alinho, respondeu Adolfo Dias on line.
_Também vou. Combinado....., e por aí fora até todos confirmarem.
_ O que queria o bebé da mãe?
Elba Calhau mal ouviu o filho, excitada com a proposta que Lurdes lhe fizera. As irmãs Vairada queriam que fosse ela a escrever a frase, para a incrição na tumba da tia avó.
Amanhã levo já umas propostax para eles me ajudarem a excolher. E logo o seu espírito criativo se pôs a trabalhar.
"Felizex ux que morrem depoix de chegarem à tua idade".
"Eterna tia, cá te ficamos a acenar".
"Amada tia, tu foxte primeiro e nóx vamux a seguir"...
_ O telefone tocou. Celeste Nebrosa atendeu meia a dormir.
_ Ouve só Celeste: "Enquanto extiveste viva foxte a maix eterna dax tiax"
_O quê?_ perguntou a amiga, ensonada, depois da sesta do almoço.
_Nada! Logo te explico.
O Pulguinhas era o bar onde se encontravam, quando só iam beber um copo, e , à hora certa, lá estavam, leves e bem dispostos.
_Lucax, que saudadex, dá cá um abraço!_ e Lucas Murro, que vinha cansado do trabalho, onde ganhava o seu dinheiro e perdia o seu tempo, foi rapidamente beijado e abraçado, e vestígios de maquilhagem ficaram a arrepanhar-lhe ligeiramente a cara.
_Ela, querida. Tudo bem? Olha o Porfírio e o Afonso.
_Juntos outra vez, meus amores. Venham cá_ e Gertrudes Vairada sacou do telemovel, e logo ali tiraram uma selfie, daquelas de sorrisos com muitos dentes, e entraram no Pulguinhas onde pediram a primeira rodada.
_Sim, é maix ou menux isso, uma frase que fique para sempre_declarou Elba depois das devidas explicações. E, amigux, precisava da vossa ajuda.
_Eu preferia falar de gajas mais novas_disse o Adolfo. E riram-se, divertidos com a malandrice.
_Ó Adolfo, taza guzar max inda agora viexte a ajudar-me no carro!
_Ouçam: Lurdex Vairada em vida, Lurdex Vairada em morte. Somux todux eternux.
_Ó Elba, tem que ter eterno, isso é que tem!_afirmou Lucas Murro.
A minha irmã tem o nome dela, esclareceu Gertrudes, de copo na mão, melancólica.
_Lurdes, se eras tão boa em velha, faço ideia em nova_ e Juvenal e os outros desataram às gargalhadas.
Celeste Nebrosa tinha os braços brancos e rechonchudos. Abandonados sobre mesa, e, como sempre, a boca ligeiramente aberta_Eternas são as trevas e o universo é a luz._declarou enquanto vendia e apagava o isqueiro, com os dedos de unhas negras.
_Ó Celeste, que macabro_
Porfírio Metelo Anão ria-se mas não dizia nada. Todas as frases lhe pareceram um pouco absurdas, já as cervejinhas frescas a escorregar garganta abaixo, era do que mais apreciava.
_Lurdex, todux desejamux que façax em viatura própria a tua eterna viagem, ou então, que Deus te dê boleia! Amigux, goxto dexta, axo que já excolhi._disse Elba Calhau comovida, com os olhinhos húmidos e brilhantes.
_O jeito que tu tens, Elba. Que belíssimas frases_
_Maix um brinde companheirux! Temux que nux encontrar outra vex para a semana. Adoramo-nux?
_Adoramos!_e tocaram os copos uns nos outros emocionados com tanta cumplicidade. Somux peculiarex, e lembraram com saudade o perspicaz professor.
_Elba, olha ali!_ No Pulguinhas entravam conversando um polícia e dois bombeiros.
_Uau! Já extou a ficar com calorex!
_É só uma cerveja, Alice! Saber das novidades.Um dia hàs-de ir comigo_tinha dito Adolfo Dias à mulher, antes de sair de casa.
_Está bem Dôfo, da próxima havemos de combinar._ e Alice Mitério recordou em pensamento quela frase engraçada:" preferia cagar um pé de merda até ao joelho", e não acrescentou mais nada.
Adolfo Dias andava irritado. Alice sempre triste vá-se lá saber porquê, já a irmã, Eunice Mitério também era assim, e não via com bons olhos as suas saídas, e ele que não fazia nada de mal, simplesmente adorava os amigos. E Elba.... Vistosa, os olhos pequeninos e vivos e outras coisas maiores....
_Ó Dôfo, a tua amiga Elba é muito feia!
_Oh, coitada, não é nada! Respondeu Adolfo.
"Chiça! Não percebo nada de beleza feminina" _Sim,, pensando melhor tens razão_
Dias mais tarde, Gertrudes Vairada mandou mensagem no Face para Elba: Elba, muito obrigada pela tua amizade e dedicação. Embora a família não tenha escolhido nenhuma das tuas propostas, elas serviram-nos de forte inspiração. Assim, optámos por uma inscrição mais simples: "Lurdinhas, eterna saudade, campa número 327." Que tal?
Fico muito contente por ter ajudado, e maix contentes ainda pelo reconhecimento da minha aptdão natural para estax coisax. Beijinhux grandex. Elba Calhau
domingo, 22 de fevereiro de 2015
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
O verão puxa à cerveja
Alfama era trista como a noite, a folia não tinha graça nenhuma, as sardinhas uma merda, velhas e secas, as piores que já comi.
Só gostei do desfile, porque já tinha bebido para aí umas seis cervejas.
No dia seguinte fui à praia. Assim que lá cheguei verifiquei que o sol estava quente de mais, e, a partir daí, comecei a pensar no momento de me ir embora.
Cheguei a casa, e, dez minutos depois, desejei ir para a cama, para ser o dia seguinte, para depois voltar para a praia.
Contente, no verão quente de bom.
Um ou outro dia contemplava a cidade. Magnífica, do topo de uma das colinas, com aquela luz que só o verão permite ver. O rio, o castelo, o isto, o aquilo, maravilhas do mais parvo que há, a não ser que seis cervejas contribuam para a beleza interior dos rostos sorumbáticos a passar.
Na esplanada, num fim de tarde fantástico, um pai imitava uma galinha para agradar aos filhos. Imagem que guardo no coração com a maior ternura.
Voltando a Lisboa,bebi um café que me soube muito bem, num quiosque sufocante, debaixo do chão, no corredor do metro.
Famílias de dez, barulhentas e feias, a cobrir a areia. Na água não se podia estar.
O Tejo, esse malandro, turvo e opulento, de conivência com o mar, vazio da beleza transparente que era antes.
A não ser que beba seis cervejas, ou sete, ou oito, ou nove! Tantas quantas as necessárias. Tenho medo é da última, que pode cair-me mal!
Só gostei do desfile, porque já tinha bebido para aí umas seis cervejas.
No dia seguinte fui à praia. Assim que lá cheguei verifiquei que o sol estava quente de mais, e, a partir daí, comecei a pensar no momento de me ir embora.
Cheguei a casa, e, dez minutos depois, desejei ir para a cama, para ser o dia seguinte, para depois voltar para a praia.
Contente, no verão quente de bom.
Um ou outro dia contemplava a cidade. Magnífica, do topo de uma das colinas, com aquela luz que só o verão permite ver. O rio, o castelo, o isto, o aquilo, maravilhas do mais parvo que há, a não ser que seis cervejas contribuam para a beleza interior dos rostos sorumbáticos a passar.
Na esplanada, num fim de tarde fantástico, um pai imitava uma galinha para agradar aos filhos. Imagem que guardo no coração com a maior ternura.
Voltando a Lisboa,bebi um café que me soube muito bem, num quiosque sufocante, debaixo do chão, no corredor do metro.
Famílias de dez, barulhentas e feias, a cobrir a areia. Na água não se podia estar.
O Tejo, esse malandro, turvo e opulento, de conivência com o mar, vazio da beleza transparente que era antes.
A não ser que beba seis cervejas, ou sete, ou oito, ou nove! Tantas quantas as necessárias. Tenho medo é da última, que pode cair-me mal!
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Os Peculiares. Episódio 1. _ O jantar
_ A reserva fica, então, em nome de quem?
_Elba Calhau, e já sabe, àx 21horax, mesa para oito. Com licença, obrigada. Elba desligou o seu "androíde", viu as horas e pensou:" Meux deusex! Tenho pouquíssimo tempo"! E entrou no automóvel, não sem antes os avisar a todos: Hoje às nove!
Que bem que sabia ir jantar com os amigos e colegas! O Adolfo, as irmãs Vairada, a Celeste...
Encontraram-se pela primeira vez num curso de desenho, com um professor de bigode repuxado e olhar distante, e onde, na primeira aula se apresentaram para melhor se conhecerem uns aos outros.
_ Digam-me então como se chamam, por favor.
_ Eu sou Elba Calhau, desempregada_ E um a um se identificaram, e lá foram explicando o seu interesse pelo curso em questão. Lucas Murro, as duas irmãs, boas raparigas mas um pouco amalucadas: Gertrudes Vairada e Lurdes Vairada. Depois, sempre vestida de preto, com a pele muito branca e umpouco de peso a mais que lhe sobressaía da roupa justa, Celeste Nebrosa, uma amiga para sempre. Do outro lado da sala. Juvenal Gadura, o amável Adolfo Dias, e finalmente, um verdadeiro "gentleman", o mais velho e o mais sabedor, Porfírio Metelo Anão.
_ Meus senhores,são efetivamente, a turma mais peculiar que já tive. Disse na altura o professor, depois de ouvir os seus nomes.
"Somos peculiares"! E logo se agitaram todos nas cadeiras.
Elba chegou ao cabeleireiro, e com um invulgar poder persuasivo, pôs todas as funcionárias a trabalhar para si. A Lúcia a arranjar o pé direito, as mãos para a Sãozinha, a Bety no outro pé, e do jeitinho nas madeixas louras encarregava-se a Dulceneide, com imensas inovações brasileiras.
_ Max que excelente trabalho, o dax meninax, e enchia a boca com os "xes", para dar voluptuosidade à voz.
Próximo de si, vivia Adolfo Dias com a mulher, Alice Mitério, uma criatura soturna e triste.
_ Vais outra vez jantar fora Dôfo?_ perguntou suavemente.
_ Oh querida_ respondeu enquanto a beijava na testa,_ Estes jantares são bons, sabem-se coisas importantes.
_ E com quem vais daqui Dôfo?
_ Vou sózinho, querida. A Elba Calhau apanha boleia do Lucas Murro.
Adolfo saíu de casa, agarrou no telemóvel e escreveu: Elba, espero por ti no sítio do costume.
Quando chegaram ao local já lá estava Lurdes Vairada, nervosa, a andar de um lado para o outro, e logo a seguir chegou Celeste Nebrosa, de capote e baton negro.
_ Elba, olha aquele "bonzaço" ali.
_ Hi, até arrepia. Vamux lá?
Já todos reunidos entraram no restaurante, o "Molhos" ali para o Bairro, com bom vinho e preços económicos, o ideal para este tipo de encontros. Sempre se conseguemjuntar uns trocos e ir para a folia, para levar desta vida o que ela tem de bom.
À mesa, depois de servidas as bebidas, a primeira coisa que fizeram foi um brinde à felicidade de todos, e também o seu grito de guerra, à semelhança do que acontece nos desportos de equipa.
_ Adoramo-nux?_ perguntava Elba de copo na mão.
_ Adoramos!_ respondiam os outros em coro.
Entretanto apeteceu a Gertrudes Vairada um creme de ervilhas, que já lhe tinha cheirado muito bem, e que comeu enquanto se debicava o pão e o queijo das entradas, e se regava tudo com vinho.
_ Bolas, este creme está demasiado grosso!
_ E não gostas deles grossos ó Gertrudes?_ perguntou Juvenal Gadura. E logo se riram os que ouviram, no meio da conversa animada.
_ Mais um copo Elba?
_ Sim Adolfo, obrigada. Vamux brindar outra vez pessoal? À nossa e a Fernando Pessoa!
_ Fernado Pessoa? Interrogou Porfírio Metelo Anão, delicadamente.
_Claro, ó Porfírio. O meu Pessoa, o meu Pessoazinho que eu tanto goxto!
_ Ó Elba, isso é que não! Não vou brindar a esse gajo. Ainda por cima já está morto! _ disse Lucas Murro.
_ Ó Lucax, não sejax teimoso. É pá, exte jantar tem que ser comemorado. Encontramo- nux daqui a um mêx ou doix. Fica já combinado. Ai, 'tô sempre a fazer rimax, é maix forte do que eu!
Celeste Nebrosa, que sorria de olhos sensuais e vidrados por baixo da maquilhagem pesada, pediu a Juvenal _ Mete- me aí mais vinho. _ Então não meto ó Celeste, eu gosto é de meter! E riram- se a bandeiras despregadas.
_ Ó Elba, então e os teus filhos? E o teu "ex"? Tem-te chateado?_ e assim ia decorrendo a noite! super animada.
As irmãs Vairada lembraram como o professor lhes tinha dito que eram peculiares e Elba disse: "Somux nóx e o mundo !" E essa frase deixou-os maravilhados, de tão verdadeira, inteligente e bem pronunciada.
_ És linda Elba!_ gritou Adolfo Dias_ És linda! E os outros concordaram numa eleger manifestação sonora.
_ E, amigux, ainda, ainda sou completamente contra o acordo ortográfico! Exclamou Elba Calhau, orgulhosa. _ E saímux daqui e vamos beber maix um copo!_ e isto provocou o entusiasmo geral.
_ Eu se calhar não vou. Tenho que me levantar cedo amanhã._ disse Adolfo Dias pouco à vontade, porque se lembrou da recomendação da mulher. "Depois do jantar vem para casa Dôfo". Adolfo até se tinha irritado. Gritou-lhe que se sentia uma besta enjaulada. "Uma besta lá isso és, grande cabrão. Enjaulada estou eu, entre os tachos e a casa arrumada", pensou Alice quando ouviu aquela frase tão dura. Pensou, mas não disse uma palavra.
_Olha! Acho que já não vamos a lado nenhum_ comentou Juvenal para Porfírio, quando, após o jantar se reuniram na rua movimentada. E apontou para Elba. Ia apoiada entre a Celeste e o Adolfo, a trocar os pés, toda dobrada, olhos revirados, e entaramelando a voz, balbuciava baixinho:
_ Pessoa...., O Acor........., e beijinhux...., bei....., beijinhux........
_Elba Calhau, e já sabe, àx 21horax, mesa para oito. Com licença, obrigada. Elba desligou o seu "androíde", viu as horas e pensou:" Meux deusex! Tenho pouquíssimo tempo"! E entrou no automóvel, não sem antes os avisar a todos: Hoje às nove!
Que bem que sabia ir jantar com os amigos e colegas! O Adolfo, as irmãs Vairada, a Celeste...
Encontraram-se pela primeira vez num curso de desenho, com um professor de bigode repuxado e olhar distante, e onde, na primeira aula se apresentaram para melhor se conhecerem uns aos outros.
_ Digam-me então como se chamam, por favor.
_ Eu sou Elba Calhau, desempregada_ E um a um se identificaram, e lá foram explicando o seu interesse pelo curso em questão. Lucas Murro, as duas irmãs, boas raparigas mas um pouco amalucadas: Gertrudes Vairada e Lurdes Vairada. Depois, sempre vestida de preto, com a pele muito branca e umpouco de peso a mais que lhe sobressaía da roupa justa, Celeste Nebrosa, uma amiga para sempre. Do outro lado da sala. Juvenal Gadura, o amável Adolfo Dias, e finalmente, um verdadeiro "gentleman", o mais velho e o mais sabedor, Porfírio Metelo Anão.
_ Meus senhores,são efetivamente, a turma mais peculiar que já tive. Disse na altura o professor, depois de ouvir os seus nomes.
"Somos peculiares"! E logo se agitaram todos nas cadeiras.
Elba chegou ao cabeleireiro, e com um invulgar poder persuasivo, pôs todas as funcionárias a trabalhar para si. A Lúcia a arranjar o pé direito, as mãos para a Sãozinha, a Bety no outro pé, e do jeitinho nas madeixas louras encarregava-se a Dulceneide, com imensas inovações brasileiras.
_ Max que excelente trabalho, o dax meninax, e enchia a boca com os "xes", para dar voluptuosidade à voz.
Próximo de si, vivia Adolfo Dias com a mulher, Alice Mitério, uma criatura soturna e triste.
_ Vais outra vez jantar fora Dôfo?_ perguntou suavemente.
_ Oh querida_ respondeu enquanto a beijava na testa,_ Estes jantares são bons, sabem-se coisas importantes.
_ E com quem vais daqui Dôfo?
_ Vou sózinho, querida. A Elba Calhau apanha boleia do Lucas Murro.
Adolfo saíu de casa, agarrou no telemóvel e escreveu: Elba, espero por ti no sítio do costume.
Quando chegaram ao local já lá estava Lurdes Vairada, nervosa, a andar de um lado para o outro, e logo a seguir chegou Celeste Nebrosa, de capote e baton negro.
_ Elba, olha aquele "bonzaço" ali.
_ Hi, até arrepia. Vamux lá?
Já todos reunidos entraram no restaurante, o "Molhos" ali para o Bairro, com bom vinho e preços económicos, o ideal para este tipo de encontros. Sempre se conseguemjuntar uns trocos e ir para a folia, para levar desta vida o que ela tem de bom.
À mesa, depois de servidas as bebidas, a primeira coisa que fizeram foi um brinde à felicidade de todos, e também o seu grito de guerra, à semelhança do que acontece nos desportos de equipa.
_ Adoramo-nux?_ perguntava Elba de copo na mão.
_ Adoramos!_ respondiam os outros em coro.
Entretanto apeteceu a Gertrudes Vairada um creme de ervilhas, que já lhe tinha cheirado muito bem, e que comeu enquanto se debicava o pão e o queijo das entradas, e se regava tudo com vinho.
_ Bolas, este creme está demasiado grosso!
_ E não gostas deles grossos ó Gertrudes?_ perguntou Juvenal Gadura. E logo se riram os que ouviram, no meio da conversa animada.
_ Mais um copo Elba?
_ Sim Adolfo, obrigada. Vamux brindar outra vez pessoal? À nossa e a Fernando Pessoa!
_ Fernado Pessoa? Interrogou Porfírio Metelo Anão, delicadamente.
_Claro, ó Porfírio. O meu Pessoa, o meu Pessoazinho que eu tanto goxto!
_ Ó Elba, isso é que não! Não vou brindar a esse gajo. Ainda por cima já está morto! _ disse Lucas Murro.
_ Ó Lucax, não sejax teimoso. É pá, exte jantar tem que ser comemorado. Encontramo- nux daqui a um mêx ou doix. Fica já combinado. Ai, 'tô sempre a fazer rimax, é maix forte do que eu!
Celeste Nebrosa, que sorria de olhos sensuais e vidrados por baixo da maquilhagem pesada, pediu a Juvenal _ Mete- me aí mais vinho. _ Então não meto ó Celeste, eu gosto é de meter! E riram- se a bandeiras despregadas.
_ Ó Elba, então e os teus filhos? E o teu "ex"? Tem-te chateado?_ e assim ia decorrendo a noite! super animada.
As irmãs Vairada lembraram como o professor lhes tinha dito que eram peculiares e Elba disse: "Somux nóx e o mundo !" E essa frase deixou-os maravilhados, de tão verdadeira, inteligente e bem pronunciada.
_ És linda Elba!_ gritou Adolfo Dias_ És linda! E os outros concordaram numa eleger manifestação sonora.
_ E, amigux, ainda, ainda sou completamente contra o acordo ortográfico! Exclamou Elba Calhau, orgulhosa. _ E saímux daqui e vamos beber maix um copo!_ e isto provocou o entusiasmo geral.
_ Eu se calhar não vou. Tenho que me levantar cedo amanhã._ disse Adolfo Dias pouco à vontade, porque se lembrou da recomendação da mulher. "Depois do jantar vem para casa Dôfo". Adolfo até se tinha irritado. Gritou-lhe que se sentia uma besta enjaulada. "Uma besta lá isso és, grande cabrão. Enjaulada estou eu, entre os tachos e a casa arrumada", pensou Alice quando ouviu aquela frase tão dura. Pensou, mas não disse uma palavra.
_Olha! Acho que já não vamos a lado nenhum_ comentou Juvenal para Porfírio, quando, após o jantar se reuniram na rua movimentada. E apontou para Elba. Ia apoiada entre a Celeste e o Adolfo, a trocar os pés, toda dobrada, olhos revirados, e entaramelando a voz, balbuciava baixinho:
_ Pessoa...., O Acor........., e beijinhux...., bei....., beijinhux........
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
O direito à vida
Maria sobrevivia do seu esforço, trabalho infindável, bebés nus, meninos descalços. O marido, presente e bom pai, marido benevolente que dizia e pensava: Só tens que me dar cama e roupa lavada. Tratar dos nossos filhos como se só teus fossem, fazer a nossa janta, abrir o corpo no sono de vez em quando.
E Maria fazia e não retorquia, às vezes andava triste mas não chateava nada.
Maria sobrevivia do seu esforço. Levava os meninos à escola, e levava o bebé no colo para não ficar sozinho em casa.
Pelo calor!
Mais pela fresca chegava o seu homem, cansado e contente de chegar a casa, para se recostar, para a Maria limpar a cinza dos seus cigarros sem se zangar.
Um dia, a Maria teve uma surpresa. Reparou no peito duro, no ciclo normal das coisas que tardava em chegar, e dia após dia, continuou fazendo o que já fazia. Carregou sete sacos de compras, a carteira vazia, e levava o bebé no colo para não ficar sozinho em casa.
O corpo nunca a enganava, doía e inchava, e em si pulsava outra vida. E Maria sobrevivia do seu esforço, trabalho infindável. O marido, bom homem, fiel e honesto aninhado no sofá, amante de coisas sem importância, como um copo de vinho, um cinzeiro e algum dinheiro, coisa pouca.
Chegou perto do seu ouvido e disse-lhe:
Estou grávida e muito triste. Carrego um peso no peito, uma dor de encovar os olhos, um sentimento enviesado, um nó na cabeça, uma imensa e eterna pena.
Não estou feliz, estou triste!
Então o seu homem falou da sala de estar para a cozinha e assim disse:
Deixa lá Maria, com tanta tristeza na alma não se deve fazer vida. Não te deixam descansada!
Sobreviveu ela e os seus filhos, que para repartir já não tinham nada. Deram o que tinham uns aos outros, e o pai benevolente, consciente aceitava.
Nesse fatídico dia, Maria levou os filhos à escola e o bebé no colo para não ficar sozinho em casa.
Sobreviveu mais um pouco a Maria, nesse dia sobreviveu!
E Maria fazia e não retorquia, às vezes andava triste mas não chateava nada.
Maria sobrevivia do seu esforço. Levava os meninos à escola, e levava o bebé no colo para não ficar sozinho em casa.
Pelo calor!
Mais pela fresca chegava o seu homem, cansado e contente de chegar a casa, para se recostar, para a Maria limpar a cinza dos seus cigarros sem se zangar.
Um dia, a Maria teve uma surpresa. Reparou no peito duro, no ciclo normal das coisas que tardava em chegar, e dia após dia, continuou fazendo o que já fazia. Carregou sete sacos de compras, a carteira vazia, e levava o bebé no colo para não ficar sozinho em casa.
O corpo nunca a enganava, doía e inchava, e em si pulsava outra vida. E Maria sobrevivia do seu esforço, trabalho infindável. O marido, bom homem, fiel e honesto aninhado no sofá, amante de coisas sem importância, como um copo de vinho, um cinzeiro e algum dinheiro, coisa pouca.
Chegou perto do seu ouvido e disse-lhe:
Estou grávida e muito triste. Carrego um peso no peito, uma dor de encovar os olhos, um sentimento enviesado, um nó na cabeça, uma imensa e eterna pena.
Não estou feliz, estou triste!
Então o seu homem falou da sala de estar para a cozinha e assim disse:
Deixa lá Maria, com tanta tristeza na alma não se deve fazer vida. Não te deixam descansada!
Sobreviveu ela e os seus filhos, que para repartir já não tinham nada. Deram o que tinham uns aos outros, e o pai benevolente, consciente aceitava.
Nesse fatídico dia, Maria levou os filhos à escola e o bebé no colo para não ficar sozinho em casa.
Sobreviveu mais um pouco a Maria, nesse dia sobreviveu!
Sem título
Sombras de luz inclinada
bonecos de marfim
Rosáceas na face espantada
o pitoresco de mim
Nada para dizer
nem de outra forma
nem assim
A palavra desfeita em letra
caída aos meus pés
Só poema sem fim!
bonecos de marfim
Rosáceas na face espantada
o pitoresco de mim
Nada para dizer
nem de outra forma
nem assim
A palavra desfeita em letra
caída aos meus pés
Só poema sem fim!
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Minha Nossa Senhora
Descobri o terceiro milagre de Fátima (apesar de já ter sido revelado).
No ana de 2004, o fenómeno de Fátima rendeu à igreja 11,8 milhões de euros. É ou não é um milagre?
Fátima, quando nos visitou, disse aos pastorzinhos:
Vejam lá se dizem a todo o pessoal que eu apareci. Tive uma trabalheira do caraças, nem tinha lá nenhum vestido apropriado, mas depois disseram-me, -- Leva o de lantejoulas para brilhar com o sol. Vai bem arreada que eles vão fazer medalhinhas e canetas com a tua figura. Diz aos pastorzinhos que em 2004 vão ganhar essa pipa de massa, que eles até se vão passar da cabeça. E sobe a uma oliveira, que é mais fácil que um eucalipto.
E pronto, cá estou eu. Não sei se isto é uma oliveira, mas já estou cansada de estar aqui! Os pastorzinhos olharam uns para os outros e pensaram: "Que linda senhora. Nunca vimos nenhuma assim - Donde vieste? Quanto é um euro? Tens algum aí ?
- Vim do céu, ora bolas! Os meninos não vão à missa? Não sabem que existe o céu? Ai! As minhas costas! Vou descer daqui! Euros? Não tenho bolsos ó putos! Náo me deixaram trazer malinha, nem mochila, nada! Que não ficava bem à Nossa Senhora vir de mala.
Os pastorzinhos sentaram-se, as formiguinhas a passar na erva seca, "Anda, senta-te aqui ao pé de nós".
- Ai! Obrigada, estou toda partida da viagem e ainda tenho mais dois milagres para revelar. Deixa ver se me lembro.
Deixa lá isso Nossa Senhora. Quanto vale um euro? Cinco escudos? Dez?
- Duzentos escudos putos, vão ficar ricos graças a mim, por isso, agora a seguir, vão já dizer a toda a gente que me viram. Não dizem os milagres, só dizem que me viram e que estive na conversa e que desbobinei que iam acontecer umas coisas. Ai!! Os outros milagres parece que não me lembro, depois inventem vocês!
Os pastorzinhos sacaram dos seus pães com chouriço e ofereceram.
Ná, obrigada! Não como chouriço nem enchidos nenhuns, fazem-me mal à tripa, e tenho que me ir embora. Pensei que ia encontrar mais gente, mais pastorzinhos! Gostava tanto de ver um pastorzinho bébé! Bem, mas correu bem assim. Corram agora vocês, pastorzinhos. Corram a dizer ao pessoal que me viram, mas atenção, não digam tudo o que eu disse. Vou-me embora. Que vestido horrível para andar aqui!!
E os pastorzinhos acabaram calmamente os seus pães e largaram a correr encosta abaixo encosta acima, encosta abaixo encosta acima, encosta abaixo encosta acima, como a Nossa Senhora lhes tinha mandado, mas depois perceberam que talvez fosse melhor ir diretamente para a aldeia contar tudo mas sem revelar nada. Tantos milhões de euros era muito dinheiro!
Que linda senhora!
No ana de 2004, o fenómeno de Fátima rendeu à igreja 11,8 milhões de euros. É ou não é um milagre?
Fátima, quando nos visitou, disse aos pastorzinhos:
Vejam lá se dizem a todo o pessoal que eu apareci. Tive uma trabalheira do caraças, nem tinha lá nenhum vestido apropriado, mas depois disseram-me, -- Leva o de lantejoulas para brilhar com o sol. Vai bem arreada que eles vão fazer medalhinhas e canetas com a tua figura. Diz aos pastorzinhos que em 2004 vão ganhar essa pipa de massa, que eles até se vão passar da cabeça. E sobe a uma oliveira, que é mais fácil que um eucalipto.
E pronto, cá estou eu. Não sei se isto é uma oliveira, mas já estou cansada de estar aqui! Os pastorzinhos olharam uns para os outros e pensaram: "Que linda senhora. Nunca vimos nenhuma assim - Donde vieste? Quanto é um euro? Tens algum aí ?
- Vim do céu, ora bolas! Os meninos não vão à missa? Não sabem que existe o céu? Ai! As minhas costas! Vou descer daqui! Euros? Não tenho bolsos ó putos! Náo me deixaram trazer malinha, nem mochila, nada! Que não ficava bem à Nossa Senhora vir de mala.
Os pastorzinhos sentaram-se, as formiguinhas a passar na erva seca, "Anda, senta-te aqui ao pé de nós".
- Ai! Obrigada, estou toda partida da viagem e ainda tenho mais dois milagres para revelar. Deixa ver se me lembro.
Deixa lá isso Nossa Senhora. Quanto vale um euro? Cinco escudos? Dez?
- Duzentos escudos putos, vão ficar ricos graças a mim, por isso, agora a seguir, vão já dizer a toda a gente que me viram. Não dizem os milagres, só dizem que me viram e que estive na conversa e que desbobinei que iam acontecer umas coisas. Ai!! Os outros milagres parece que não me lembro, depois inventem vocês!
Os pastorzinhos sacaram dos seus pães com chouriço e ofereceram.
Ná, obrigada! Não como chouriço nem enchidos nenhuns, fazem-me mal à tripa, e tenho que me ir embora. Pensei que ia encontrar mais gente, mais pastorzinhos! Gostava tanto de ver um pastorzinho bébé! Bem, mas correu bem assim. Corram agora vocês, pastorzinhos. Corram a dizer ao pessoal que me viram, mas atenção, não digam tudo o que eu disse. Vou-me embora. Que vestido horrível para andar aqui!!
E os pastorzinhos acabaram calmamente os seus pães e largaram a correr encosta abaixo encosta acima, encosta abaixo encosta acima, encosta abaixo encosta acima, como a Nossa Senhora lhes tinha mandado, mas depois perceberam que talvez fosse melhor ir diretamente para a aldeia contar tudo mas sem revelar nada. Tantos milhões de euros era muito dinheiro!
Que linda senhora!
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
O politicamente correto
O politicamente correto
Não dizer caralho próximo de senhoras de idade.
Não dar peidos em reuniões do concelho de ministros, ou outras.
Não escrever Deus com minúscula.
Em caso algum lavar a peida em público.
O politicamente correto
Nunca reconhecer que há dias em que o sexo é uma verdadeira merda.
Não tirar macacos do nariz fora do automóvel.
Não fumar, nem no quarto, nem na sala, nem na casa toda, nem em nada que tenha telhado e parades. Só à chuva.
Não fuder o juízo às pessoas.
Não mentir, pelo menos descaradamente.
Não esperar um colhão de dias para apanhar a roupa do estendal.
Não tirar a dentadura num espaço com menos de cem metros quadrados.
O politicamente correto
Nunca cobiçar os "bonzaços" das outras.
Não bater, nem no pai, nem na mãe, nem na avó, e não bater com a cabeça nas paredes (brancas).
Nunca mijar pernas abaixo, mesmo velho e doente.
Nunca bater punhetas à luz do dia,
E não ter maus pensamentos,
Nunca por nunca ser!
Não dizer caralho próximo de senhoras de idade.
Não dar peidos em reuniões do concelho de ministros, ou outras.
Não escrever Deus com minúscula.
Em caso algum lavar a peida em público.
O politicamente correto
Nunca reconhecer que há dias em que o sexo é uma verdadeira merda.
Não tirar macacos do nariz fora do automóvel.
Não fumar, nem no quarto, nem na sala, nem na casa toda, nem em nada que tenha telhado e parades. Só à chuva.
Não fuder o juízo às pessoas.
Não mentir, pelo menos descaradamente.
Não esperar um colhão de dias para apanhar a roupa do estendal.
Não tirar a dentadura num espaço com menos de cem metros quadrados.
O politicamente correto
Nunca cobiçar os "bonzaços" das outras.
Não bater, nem no pai, nem na mãe, nem na avó, e não bater com a cabeça nas paredes (brancas).
Nunca mijar pernas abaixo, mesmo velho e doente.
Nunca bater punhetas à luz do dia,
E não ter maus pensamentos,
Nunca por nunca ser!
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