Eu era ali mesmo a primavera.
Arrumava-me exatamente assim, reconhecia o meu lugar frágil
(era um tempo em que estupidamente roubava canetas com a desculpa de que servem para escrever).
Hoje,
o fascínio passa por aqui, cai em mim, assim de repente,
nem consigo ler jeitosamente duas ou três páginas,
distraio-me,
persigo as pequenas letras transformadas em vermes vivos,
que se movimentam para alcançar outra forma, outro lugar.
Esse lugar paradisíaco,
uma ilha engolida pelo oceano gigantesco.
Nem quero saber o que dirão depois desta conversa de merda.
Gradualmente, aparecem as pequenas flores,
sem exaltação, e também sem nada de perene,
iguais a sempre,
apenas flores que se desgastam necessariamente até ao fim.
Se domino as palavras, isso não!
São indomáveis, as desgraçadas,
são os meus bichos de seda, ora repugnantes,
ora já lá vai,
meus,
dentro de uma caixinha com buraquinhos para o sol incidir sobre o poema,
nunca deves permitir tal coisa!
Eu era ali mesmo a primavera, é fundamental insistir,
para que todos saibam, se quiserem saber,
para que se lembrem das minhas frases em minhoca
que se vão no bico de um pássaro, ou numa enxurrada, talvez.