São seis da tarde de um qualquer início de fevereiro, e o céu tem uma tonalidade indefinida.
Existe um rosa vibrante, como se o insólito também se estendesse pelas cores, ou pelos tons, como se a serra, vista sob este prisma, me escondesse do mar toda a luminosidade, para eu ficar inquieta, não entendendo de onde vem tanto alaranjado, tanta coisa rósea, cuja origem o sol fraquíssimo sobre as nuvens. não me revela.
O dia, evidentemente, está a cair. Vejo aqui pelo canto do olho, onde desaparece tudo o que acabei de ver. Talvez o meu telemóvel, com a sua capacidade imensa para as cores, tivesse captado essa atmosfera irreal, talvez eu tivesse conseguido guardar aquele cenário numa fotografia, mas não quis, preferi descrevê-lo, dada a grande exigência e dificuldade que isso acarreta, todavia, vejo-me incapaz de o fazer,
dizer que é porque os meus dedos tropeçam uns nos outros não me parece desculpa aceitável.
Estou em querer que virei muitas vezes, hoje sentar-me aqui, hoje, já outro dia avança, ainda me lembro convenientemente do ocaso amarelado, das nuvens negras, soltas no ar, mas quero vê-lo outra vez, outra e outra, e nesses devaneios me perco, ficam, talvez, as palavras por arrumar, as cores dispersas.
Conheço demasiado bem esta janela para saber do que o horizonte é capaz e que nos meus olhos tornará o espanto.
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